terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Conto Dois Irmãos . by LdeM .

 




                          fonte da imagem: Dois Irmãos / HQ [2015] 

                           by Fábio Moon e Gabriel Bá 


 

Conto


    Dois Irmãos 


    Quer um tema que se repete sempre na literatura? O conflito de dois irmãos. Se não conflito, digamos, uma rivalidade no mínimo. Assim Caim e Abel, ou Esaú e Jacó, ou Remo e Rômulo, etc, até os gêmeos rancorosos do clássico do Hatoum. 


    Pois eu conheci dois irmãos desse jeitinho. Primeiro eu trombei com o Clésio lá nas aulas da faculdade. Um cara na dele, camisa preta, barba e cabelão. Maior atitude. Só falava quando alguém puxava assunto. Nunca criou caso com a galera. Ficava lá ouvindo um Iron Maiden ou Soundgarden, lá na dele.


    Um dia conversamos qualquer coisa sobre política, se não me engano. Sobre banda que era de esquerda e banda que era de direita, algo assim. Clésio entrou no debate e defendeu ponto por ponto. Convenceu a galera. Não lembro mais os argumentos. 


    Claro que na hora de escolher banda, ninguém vai ficar olhando ficha partidária dos músicos. Mas tem bandas racistas ou homofóbicas que a gente não ouve de jeito nenhum. Nem vou dar nome aos bois.


    Aliás o assunto dessa prosa nem é este. Só estou esclarecendo como conheci o Clésio. Pois passou um tempo e eu conheci o irmão do Clésio, o Cássio. E também a Cátia, a irmã do meio. Pois o Clésio é o caçula, vejam vocês. 


    Como foi? Deixa eu contar antes que vocês mudem de site. Foi no aniversário da irmã dos caras, a Cátia. E teve um pagode lá na varanda da dona Cíntia, a matriarca.  Pois o pai tinha sumido no mundo. De repente o homem tinha outra família. Não se sabe.


    Pois bem. Cheguei para conhecer a família do Clésio lá nas bordas da periferia, depois da Pampulha, e o som você já ouvia lá da esquina. Acho que era rock nacional ainda. Depois só rolou pagode...


    Certo. Lá estava o Clésio  e a mulher dele, gente boa. E a irmã Cátia, uma ruiva muito simpática, mãe de um menino muito simpático e falador. E um amigo do Clésio e um amigo do Cássio. O amigo do Cássio estava acompanhado de uma loira modelo. Ops. Quem era o Cássio? O irmão mais velho que estava num canto da varanda, como um Salomão ou sultão cercado de súditos. Ao lado, uma morena que parecia atriz.


    Eu achava o Clésio um cara todo atitude, todo imponência, lá sem dar ideia, ouvindo um som pesado e tal, o pessoal falando que o brother era arrogante, e tal, mas é porque ainda não tinha conhecido o irmão do Clésio, o Cássio. 


    Pois na sombra da varanda, naquela tarde quente de domingo, o Cássio guiava o compasso e ditava a conversa. De óculos escuros, cabelo pouco e barba zero, de camisa branca e bermuda estampada, o Cássio conquistava a atenção do amigo e da namorada do amigo, e do amigo do irmão. E a mulher do irmão. E divertia o filho da irmã. 


    Eu achava o Clésio o cara mais de presença na faculdade, mas perto do irmão Cássio o meu amigo era uma sombra. Mal abria a boca, via-se ignorado por um gracejo do primogênito. Nenhuma rivalidade explícita, mas você via que era complicado para o Clésio brilhar quando estava em cena o Cássio. 


    Qual o assunto mais legal? Qual o filme mais top? Aqueles escolhidos e elogiados pelo Cássio que dominava geral e falava por três. As mulheres riam até chorar. Até da chuva que caiu mais tarde, devastando geral, ele fez piada. (Chuva que ele duvidava, pois quem falou que ia chover foi o Clésio...)


    Peraí.  Estou me perdendo. Ah, sim. Os dois irmãos. Difícil um contraste mais gritante. O Cássio era formado em Direito, mas não exercia advocacia, virou pequeno empresário. Bem sucedido.  Casado, bem casado, ainda sem filho. Em suma, Cássio não podia reclamar de nada.


    E ele não reclamava. Para tudo dizia sim, nunca falava um Não. Era o maior bon vivant que eu tinha o prazer de conhecer. Carro do ano, casa de campo, férias no Nordeste. 


    A irmã Cátia, a aniversariante, cuidava de encher nos copos com refri ou cerveja, e ao mesmo tempo olhava o filho aprontando todas, pulando nas poças de lama (isso foi depois da chuva...), e correndo para ver as panelas. 


    Enquanto isso, dona Cíntia largava a cozinha e aparecia para cumprimentar todo mundo e ver se o neto não tinha entrado debaixo do carro. Ou soltado os cachorros. Desse jeito. Ou então ela pedia um pagode.


    No início só rolava rock nacional tipo Paralamas e Engenheiros, um Charlie Brown ou Legião.  É um meio termo. Não ia rolar Iron Maiden nem Nirvana. Depois, antes da chuva, que eu me lembre só estava rolando pagode. Difícil. (Sou suspeito pra falar. Detesto pagode. Prefiro chorinho. Aliás, jazz. )


    Cássio guiava os assuntos que passavam de política para carro esportivo para campeonato de fórmula 1 para campeonatos de futebol para rendas milionárias de jogadores etc Nem lembro mais. Mas era sempre o Cássio que falava ou então o amigo do Cássio. O amigo do Clésio olhava para o Clésio e o Clésio lá calado. E as mulheres rindo. E eu bebendo e olhando o espetáculo. 


    Não sabia daquele amigo do Clésio, pois eu acreditava que eu era O amigo do Clésio. Mas o sujeito era do bairro ali e amigo desde tempo de ginásio. Não era da publicidade como eu antes tinha cogitado. Se não me engano o cara vendia seguro de carros...  Só  falava quando o assunto era automóvel. Era um cidadão tão na dele quanto o Clésio. 


    O Clésio só calado ou só  trocava umas sílabas com a irmã ou com o sobrinho ou com a mãe, dona Cíntia. E até eu ficava meio sem graça, ali convidado e... ignorado. Parecia que o aniversariante era o Cássio que discutia uma marca de eletrodomésticos quando a irmã pergunta quem poderia buscar mais bebidas e tal. 


    O Cássio logo se prontificou muito sorridente e tal. Cerveja e vinho ele pagava e sem problemas. Era só ligar o carro etc Mas continuava o papo. Foi quando o Clésio falou que ia chover. O Cássio falou que não. 


    Peraí. Lembro que foi aí. Um disse que teria chuva. Outro falou que não. Eu achei que não era impossível chover. Muito calor e tal na tarde de domingo etc Era só se preparar e tal. (Não podia prever o dilúvio que foi...)


    Melhor alguém buscar as bebidas antes da chuva. Acho que a sabedoria veio da mãe, a dona Cíntia. A mulher do Clésio disse Uai fulano não disse que ia? E todos discutindo Chove ou não? O Cássio reafirma que vai. E continua achando que com argumentos ele vai impedir o dilúvio universal. 


    Clésio em nenhum momento se ofereceu, antes fez uma cara de contrariedade quando falaram em sair pra comprar bebidas. A mãe e a irmã entregaram os cartões de crédito e ficaram esperando. Cássio não ia? 


    Clésio olhava pras nuvens de algodão cada vez mais baixas e cinzas, gordas e pesadas, e suportava as risadas do irmão, do amigo do irmão e das mulheres. A morena, a esposa do Cássio, mostrava fotos no zap para a loira, a namorada do amigo do Cássio. Fotos das últimas férias, diziam. Eu adoraria ver estas fotos: duas beldades. 


    Quando o assunto se repetia, acho que era sobre o Brasileirão, o Clésio olhou mais uma vez pras nuvens gorduchas de algodão escuro e pediu o cartão de crédito da Cátia. 


    Clésio se levantou e disse que ele ia buscar as bebidas. O Cássio olhou e parecia que ia dizer A ou B mas só ficou na vontade. Clésio buscou a chave da moto e saiu.


    Cátia ficou olhando enquanto o irmão saiu e voltou-se para os convidados com outra travessa de churrasco, picanha e coraçãozinho. A mãe pediu um pagode e daí a soundtrack só pra contrariar seguiu firme e inabalável. Cássio não gostou mas nada disse. Não tocaram mais rock nacional. E Iron Maiden nem pensar.


    Quando o Clésio saiu, eu e o amigo do Clésio tentamos prosear sobre eventos climáticos, ou privatizações, mas em vão. A única coisa que tínhamos em comum era a condição de amigos do Clésio. O que era complicado justamente com a ausência do anfitrião. 


    Não sei quanto tempo depois. Mas Clésio chegou com as bebidas e trazendo a chuva. Cássio estava na mesma posição e vibe e assuntos quando Clésio chegou e deixou as bebidas no meio da mesa. E aquela cara de Quero ver agora você doutor guardar no freezer. Cássio percebeu  mas continuou como se não fosse com ele. O amigo de Cássio calou no meio de uma frase. As mulheres deixaram os celulares. A mãe e a irmã pararam de dançar o pagode. Cássio e Clésio se olharam.


    Foi aí que a chuva caiu mesmo. De cima e dos lados, logo a varanda estava inundada e a churrasqueira alagada igual a Vilarinho. 


    Não lembro quem guardou as bebidas. Lembro que a chuvarada  afogou o pagode (o som  também ficou molhado e calado) e encerrou uma lavação de roupa suja que nem começou. 


    Foi a única vez em que visitei os irmãos. Depois de formado, Clésio não seguiu na publicidade, mas hoje mexe com eventos no interior de Minas.  Cássio continua empresário e rico, com mais sócios e clientes, segundo fiquei sabendo. Parece que agora o lance dele é entrar pra política. Afinal é um daqueles caras que nunca dizem Não. 



Dez 25


LdeM 


Escritor, crítico literário 

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Crônica --- A Ilusão do Livre-arbítrio . Filmes e Filosofia. by LdeM

 



                                                               fonte da imagem: Internet 



    Crônica 


    A ilusão do livre-arbítrio 


    Livre-arbítrio em Show de Truman, Clube da Luta e Matrix


    Recentemente tive a curiosidade de rever três filmes famosos dos anos 1990, que trazem os temas centrais da realidade vs ilusão e da capacidade de decisão: temos a capacidade de escolha? Em suma: temos liberdade?


    Verdadeiros quebra-cabeças com personagens densas em filmes que colocam em xeque condutas humanas que parecem tão certas e evidentes, mas que ocultam os fios de controles nunca dantes imaginados.


    Em resumo (e aqui contém spoilers) temos um cidadão comum de uma cidade comum que na verdade tem sua vida inteira televisionada como um espetáculo para as massas. Sua vida passa no tipo de big brother que todos acompanham menos o protagonista. 


    Em outro temos igualmente um cidadão comum de uma cidade comum que vive e sobrevive para consumir as novidades do mercado até que, num acidente?, seu apartamento explode e sua vida é nivelada por baixo: nem terapia ajuda mais. É uma experiência traumática e mesmo esquizofrênica.


    Na distopia cibernética de um mundo, onde as máquinas e inteligências artificiais dominam, um jovem hacker descobre que não tem controle sobre sua vida pois tudo é uma mera simulação. 


    As rotinas e as disciplinas mantêm os protagonistas ocupados e anestesiados o suficiente para que não percebam os padrões repetitivos e as encenações até dos melhores amigos. É o discurso dos outros que mantém o castelo de cartas. 


    E se o jovem protagonista consumidor e consumista parar para pensar: por que trabalho e consumo? Por que vivo para acumular coisas? Por que me estresso a ponto de ter insônia?


    E se o protagonista do show se recusasse a seguir os roteiros que desconhece? E se ele resolvesse ser um espontâneo e improvisador dado aos atos gratuitos?


    E se o jovem hacker Neo resolvesse mesmo conhecer a Fonte da simulação e aceitasse de tornar o the One, o Escolhido? É decisão dele ou é por causa da profecia da Oráculo?


    Cada ação dos protagonistas tem consequências que eles desconhecem mas têm responsabilidades que eles precisam assumir! Está profetizado mas a escolha é individual?!


    O jovem no show não escolheu os amigos e familiares pois já foram escolhidos para ele por uma equipe nos bastidores. Todo seu mundo é um imenso estúdio! Tudo ordenado e organizado -- até que ele se rebela!


    O mesmo com o jovem hacker que desafia o Arquiteto e a Oráculo da simulação distópica -- ele não aceita não ter escolha!


    Mais realista e compreensível é o jovem consumista que não tem mais tradição nem noção de masculino, e busca virilidade na compra e ostentação-- até que surge sua sombra e contraponto: o rebelde, o anarquista, o terrorista. 


    Sofremos juntos com as personagens e possivelmente é um dos motivos da perenidade destas criações cinematográficas . É o que chamamos de identificação: sabemos que eles não são livres, mas, cá entre nós , quem garante que somos livres?


    Neo diz que não gostaria de saber que não tem controle sobre sua própria vida, e também somos assim: somos indivíduos pensantes e modernos que queremos ter o direito de livre-escolha.







                                                              fonte da imagem: Internet



    Mas será que não somos condicionados a querermos escolher? Será que o desejo de liberdade não vem de uma programação? Como podemos decidir sem conhecer todas as variáveis e possibilidades?


    O jovem pode escolher ser médico para agradar a família ou então artista para desagradar a família. Pode ser professor por vocação ou ser funcionário público por falta de opção. Sempre precisa escolher se vai casar ou ser o solteirão ou solteirona da família. 


    Estas escolhas trazem angústias pois não sabemos o que acontecerá no fim da linha. Melhor ter sido médico mesmo, ou melhor ser um artista do que um advogado medíocre, etc. Só depois de duas décadas você percebe: como voltar atrás?


    Estes filmes marcaram uma época e uma geração e duas décadas depois ainda estamos aqui angustiados com o pobre Truman e o perturbado consumista (cujo nome não lembro, ou será Tayler?) e com o messiânico Neo: como conseguem sair do script e do labirinto e da simulação?


    Também sentimos que não temos liberdade de escolha e até nossa liberdade de expressão é  condicionada e limitada: para alertar sobre as redes sociais eu preciso das... redes sociais!


    Verdadeiros sistemas filosóficos e religiosos estabelecem uma limitada ou mesmo inexistente liberdade. Somos condicionados por condições e situações, família e classe social, crenças e dogmas. Difícil é contrariar o estabelecido, o senso comum.


    Mas se o protagonista rompe com o senso comum então vem coerção e punições.  E se consegue se livrar parte para uma anomia -- ou cria novas regras, para outro sistema que vai determinar as próximas gerações!


    É para evitar angústias e anomias é que as gerações e os patriarcas criaram a tradição: um caminho pavimentado de normas e gestos. Romper com a tradição é se sacrificar e cair na anomia -- até que outra lei e tradição seja ordenada. 


    Tanto o jovem hacker quanto o jovem consumista quanto o celebridade Truman precisam decidir se permanecem num conjunto de regras A ou se cria um conjunto B. Alguma regra e controle precisam; caso contrário vem a loucura, a esquizofrenia. 


    O consumista que gira em círculos: trabalhando para pagar as contas; se perdendo em dívidas que levam a mais estresse. E nem é obrigado a trabalhar: pois sua obsessão é trabalhar. O escravo realizado em ser escravo. 


    De modo que entre uma rotina e uma tradição, os protagonistas são levados a escolher não a liberdade -- mas entre uma rotina e uma tradição! Não há liberdade solta -- isso é niilismo.  Mas sempre uma escolha que precisa ser feita -- estamos condenados a decidir. Mesmo sem saber, mesmo que seja ilusão. 


Dez 25


LdeM







                                                            fonte da imagem: Internet 



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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A Tábua de Esmeralda . V.I.T.R.I.O.L. poemas by LdeM

 



                                                              fonte da imagem: Internet



A Tábua de Esmeralda


A Voz de Tradição Ancestral 

Do Sábio Hermes entre as dunas

Ressoa na Tábua de Cristal 

Lá Escrita em Pedra a Fortuna. 

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Assim Embaixo, assim Acima 

Diz a Voz grave do Mestre nobre:

Oculta jaz a Matéria-Prima :

Tudo tem ritmo, vibra e se move!

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A Pedra Bruta pronta a esculpir 

Na Grande Obra ao mero Toque:

Imagem sacra que ousa surgir:

A barba vetusta de Enoque!

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Nov 25


LdeM 






                                            fonte da imagem: Internet


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Vitriol 


Visita interiora Terrae ...


Visita o teu interior 

Íntimo do Ser 

Sopro no vivente 

Ânimo de vida 


Adentra alma e espírito 

Mergulha profundamente 

Ousa a alquimia do Ser

E então purifica teu ego


Retificando, invenies occultum lapidem 

:

Visita o teu microcosmo 

Sonda os teus abismos 

Encontra tua pedra filosofal

Para mapear o macrocosmo 


Ousa consertar a si mesmo 

Retificando teu caráter 

Então erga ferramentas 

Para reformar o mundo 


:

Visita a tua terra interior 

Encontra tua verdade 

Presta então o testemunho 

E queira retificar o mundo 



LdeM 


2024





                                                   fonte da imagem: Internet



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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

São Francisco de Assis e outros poemas. by LdeM

 



                                                            fonte da imagem: Internet


São Francisco de Assis 



Imitador de Cristo, o Santo

Do Cântico das Criaturas 

Abraçou as Dores & Agruras 

E fez em Preces o seu pranto.


Beijou os pobres e leprosos 

Na santa & pura Caridade 

Em gestos de grata Bondade

Envergonhou os ociosos. 


De Assis pregou o Desapego

E condenou as vãs riquezas,

Em justa Oração e Sossego


Apontou no mundo as Belezas

Na sua Vida simples & austera

Rogando pela Paz na Terra.



Out 25



LdeM 






Soneto



Duelo 



Combate de luz e trevas, batalha 

Feroz entre desejo e desapegos,

Viver em profundo desassossego,

O pecador culpado de mil falhas.


Vaguear em busca de uma balança 

Justa entre acumular e doar,

Viver em constante angustiar,

Sofredor de uma cruel herança. 


Entre anjos e demônios uma luta 

Entre as sombras e a claridade

Num duelo de ilusão e verdade. 


Vislumbrar o Alto e cair numa gruta,

Viver em um dilema gritante

Entre a Fé e a dúvida sufocante. 



Set 25



LdeM 


 


...








Soneto à Senhora Graciosa 


Virgem Graciosa, Mãe do Messias,

Sublime, venha ouvir a nossa voz,

Em tua Piedade, ajudai-nos

A cumprir os nossos ásperos dias.


Dama Graciosa, tenha Clemência 

E rogai por nós, pobres pecadores,

Hoje afastai de nós nossos Temores,

No justo cultivar da Paciência. 


Senhora Graciosa, de Bênção 

Completai nossa Fé assim pequena

Com tua Gloriosa Comunhão. 


Ave, ó Rainha de Graça plena,

Dona Coroada de Compaixão,

Conforta-nos tua Imagem tão serena.



Ago 25



LdeM 




...




Soneto 



Manual do 'bom' diabo


É blasfemar sempre que puder

E mentir e falsear sem cessar,

E roubar tudo mais o que quiser,

Violar, caluniar, arrasar!


Seguir às avessas com devoção,

Trocar o certo pelo pleno errado,

Livrar-se da luz, pedir maldição,

E viver de abraço com o pecado!


Sempre insultar pai e mãe e irmãos,

Exaltar a sua própria vontade,

Humilhar os fracos sem compaixão,


Sempre negar n'alma a paz da bondade,

Pronto p'ra pregar um longo sermão,

Sem uma só vírgula de verdade!



Set 25



LdeM 







                                                            fonte da imagem: Internet 


Jesus expulsa os vendilhões 



E Jesus expulsou os vendilhões 

No Santo Templo os tantos mercenários,

Os vorazes mercadores diários 

Explorando os fiéis em multidões. 


Jesus ergueu alta Voz soberana,

Sério, soltou o açoite e furor,

Justiça contra cada pecador, 

Assim mostrou a nós sua face humana. 


Condenou os cambistas e ladrões,

E bradou alto contra os impostores!

Purificou o Templo e reparou


Esta divina Paz nos corações 

De cada peregrino, sofredores,

Aqueles que o Messias muito amou.




Set 25


LdeM 




                                                          fonte da imagem: Internet




Leonardo de Magalhaens

poeta, contista, crítico literário

Bacharel em Letras FALE / UFMG



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