quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Charles Baudelaire 'As Flores do Mal' - tradução de Éric Ponty

 


                                                       fonte da imagem: Ipê das Letras 




Charles Baudelaire As Flores do Mal 


Tradução de Éric Ponty 

(São João Del Rei) 

Ipê das Letras



Ao amigo poeta Rogério Salgado



    Charles Baudelaire é um poeta que marcou época e ainda a nossa modernidade. Somos ainda personagens de seus poemas, em verso ou em prosa. As cenas urbanas são as mesmas, as figuras dantescas ainda se refugiam, se ocultam nos becos escuros. 


    Pós-românticos e simbolistas e decadentistas e pré-modernistas e modernistas e expressionistas seguem os faróis da poética tecida de sinestesias de Baudelaire. Suas passagens entre ruas e boulevards previram os labirintos de consumo do mundo moderno e também pós-moderno, com seus excessos de mercadorias e modelos e manequins e bibelôs e adornos. 


    A poética de Baudelaire soa excessiva, às vezes dramática e grotesca, numa imensa ópera de imagens ensombreadas de vultos de boêmios e marginais, de velhas e de damas da noite. Todos em seus sonhos e pesadelos particulares, em celas e infernos íntimos.


    As figuras em As Flores do Mal são fortes, quando os sentidos se misturam, em odores, aromas, incensos, perfumes, coabitando com punhais, venenos, noite, vampiros, morte. 


    A cidade, a terrível Paris do século 19, evocada em pesadelos, particularmente dantescos, com imagens de tradição grega, cultura cristã católica, o imaginário do Mal, como uma destilação de mil leituras do clássico Inferno de Dante Alighieri. As elogiadas traduções do abade Lamennais e a de Pier Angelo Fiorentino, com gravuras magníficas de Gustave Doré (elogiada por um Victor-Hugo!).


    Luxúrias, prazeres, pecado levam, irremediavelmente, às culpas e penitências, num sentimento de que somos marionetes do Diabo. Somos marionetes do Diabo? Pecamos, fazemos penitência, pecamos de novo...



Genuinamente o Diabo puxa todas as nossas cordas!

Nós objetos mais repugnantes, encontramos encantos;

A cada dia damos mais um passo em direção ao inferno, 

Contentes em atravessar o poço fedorento.


(Ao Leitor. Trad. Eric Ponty)



     Diabo é um ser lá fora? Ou um instinto carnal aqui dentro? Uma arena de batalha dentro do pobre humano: carne vs alma (ou sentidos vs espírito), quando o espírito quer o Alto e o corpo quer o baixo (as baixezas!), numa dinâmica de dualismo? Platonismo? Maniqueísmos?


    Pois a obra de Baudelaire se move justamente nesta tensão de desejos e prazeres, então os crimes, então as culpas e as revoltas! Como ser puro e santo numa cidade de orgias? Num antro de capitalistas e corrupção? O poeta nunca alcança satisfação -- o que gera mais tédio!


    Pecados cada vez maiores -- maior frustração -- a rebeldia (o 'satanismo baudelairiano' que Benjamin dizia que era para chocar os burgueses...) e a criação poética. Pra quê? No fim, após mais uma orgia, sobra o tédio. E Baudelaire não rompe o 'círculo vicioso ', ele não sabe abrir mão de sua revolta satânica. Precisa dela para colher mais 'flores do mal'.




                                           fonte da imagem: Internet 


    As traduções 


    Apresentado à tradução de Éric Ponty, mineiro de São João Del Rei, mas com dicção portuguesa, lisboeta, 'old school', publicada pela Ipê das Letras, fui compará-la àquela de cabeceira, a de Ivan Junqueira, de 2012. E vamos apresentar alguns argumentos para julgar uma em relação a outra, quanto aos requisitos tradução e retradução e transcriação.


    Primeiramente esclarecemos que as traduções podem ser mais próximas ao original, a língua de origem, ou podem ser mais adaptadas a uma língua de chegada, aquela do destinatário, que finalmente vai ler. 


    Podemos traduzir por uma ideia ou mensagem, ou recriar a métrica e as rimas essenciais na poesia em versos. Podemos inventar um outro poema baseado ou inspirado no original...


    Os interesses e as intenções podem mover de lado a outro, ou tentar conciliar um pouco para agradar o público. Um exemplo são as traduções da Bíblia Sagrada que sofrem modernização para a linguagem de hoje, que faltam pouco para incluir os coloquialismos e até gírias.


    Enquanto a tradução de Ivan Junqueira tenta (e mesmo ousa) uma recriação poética, de métrica e rimas, com sacrifício de mensagens do texto, a tradução de Éric Ponty tem interesse em manter a mensagem (ou intenção) do poeta francês, mesmo quando muda a ordem dos versos, na mesma, ou para outra, estrofe, ou quando abre mão das rimas, conservando as mais naturais. (Facilidade da proximidade das neolatinas francesa e portuguesa.)


    Ou seja, para manter a mensagem, a tradução de Éric Ponty infelizmente perde sonoridade que Ivan Junqueira tenta recriar... E para a estética da poesia simbolista é essencial a música. Disse Paul Verlaine, “De la musique avant toute chose”. Música antes de tudo, acima de tudo!


    Vejamos o poema Albatroz, com a figura do pássaro, príncipe das nuvens, 'prince des nueés', um símbolo do poeta nas alturas da sua torre de marfim, contudo quando chega ao rés do chão é aquela figura miserável, ridícula.


O poeta é feito o príncipe das nuvens 

Que assombra a tempestade e ri do arqueiro;

Exilado no chão entre zombarias, 

As suas asas gigantes impedem-no de andar.


(Éric Ponty)



O Poeta se compara ao príncipe da altura 

Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;

Exilado no chão, em meio à turba obscura, 

As asas de gigante impedem-no de andar.


(Ivan Junqueira)



    Aqui a tradução de Éric Ponty mantém a mensagem, a intenção do autor, enquanto Ivan Junqueira tenta recriar o jogo das rimas, ainda que sacrificando a figura do arqueiro e incluindo uma "turba obscura" onde só temos zombarias, vaias.


    Outro exemplo, o famoso poema Correspondências, que trabalha com o sinestésico e o sugestivo.


    Ivan Junqueira é feliz e bem sucedido em recuperar as rimas pilares / familiares, matizam / harmonizam, infantes / triunfante, enquanto se vê obrigado a inventar um harmonizam no lugar de correspondem, que é mantido na versão de Éric Ponty, que até desistiu das rimas. 


Odores há, frescos como a pele de um bebê, 

Suaves como oboés, verdes que nem a erva dos prados.

Outros corrompidos, ricos, triunfantes, plenos, 


Tendo dimensões infinitamente vastas, 

Incenso, almíscar, âmbar gris, benjamim, 

Cantando o arroubo dos sentidos e da alma.


(Éric Ponty)




Há aromas frescos como a carne dos infantes, 

Doces como o oboé, verdes como a campina, 

E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes, 


Como a fluidez daquilo que jamais termina, 

Como o almíscar, o incenso e as resinas do Oriente, 

Que a glória exaltam dos sentidos e da mente.


(Ivan Junqueira)





    Percebemos que Junqueira prefere "aromas" do que perfumes, "dissolutos" do que corrompidos, e  exagera no "glória" quando é só "enlevo". Inventa "resinas do Oriente" só para rimar com mente (poderia rimar "incenso" com "senso"...). Para Éric Ponty é mais fácil, e prático, "incenso, almíscar, âmbar gris, benjamim", que soa mais melódico, uma vez que desistiu das rimas anteriores e posteriores. 


    Em suma, cada tradução tem suas vantagens e desvantagens (igual a tudo na vida...) com suas proximidades e afastamentos do texto original. Se queremos uma versão em português, como se fosse composto em nossa língua, ficamos com a do Ivan Junqueira, mas se quisermos uma mais à sombra da mensagem do poeta francês então abraçamos a tradução de Éric Ponty, mais acessível aos que se iniciam na jornada estética e rebelde da Poesia.



Out 26 



LdeM 



Leonardo de Magalhaens 

Escritor, crítico literário 

Bacharel em Letras Fale / UFMG



segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Dark romance e o ghostface bad boy - Crônica by LdeM


 

                                                                fonte da imagem: Internet 



Crônica 


Dark romance e 

o ghostface bad boy 

 na bienal SP



    Visitei, ainda que virtualmente, os labirintos da atual bienal do livro em São Paulo e me perdi na multidão. Muita fantasia e sci fi e quadrinhos e autoajuda e best sellers etc Muita gente saindo para comprar livros e abraçar mascarados. 


    Ok. Comprar livros, tudo certo. Mas que lance é este de abraçar (e até levar tapas e beijos?) de mascarados? É carnaval fora de época? É carnaval de Veneza?


    Não. Trata-se de um stand Fruto Proibido que divulga 'dark romance' para as moçoilas da geração ZZ (sei lá) que adoram um mocinho mais bad boy do que angelical.


    Dizem que é um tipo de romance para góticas modernas de trinta anos, as balzaquianas, como sabemos, que cresceram lendo e vendo a Bella e o Edward de "Crepúsculo" e assemelhados , que alimentam fantasias de dominação e submissão com ares de bondage e risco de morte. Para fãs da Família Addams e romance noir dos anos 30 e 40 com detetives piores que gângsters.


    Poisé. Góticas na minha época não eram estas mocinhas de hoje com conteúdo adulto nas redes sociais em roupas sexy e bustos semidesnudos etc Nada disso. Pelo contrário, minhas amigas góticas eram as freak as rejeitadas as melancólicas etc Pois acontecia que as meninas sensuais que atraiam os meninos, os de hormônios a mil, eram as moçoilas do samba, do axé e do funk as tchuchucas poderosas etc


    E nem existia este hype de dark romance ou romance para darks. O que seria exatamente? Dark romance com vampiros juvenis e lobisomens fitness de academia sem camisa é que virou a chave ao longo dos anos 2000. O "Morro dos ventos uivantes" virou conto de fábulas perto dos musculosos bad boys em tons de cinza ensinando fetiches novos para as novas gerações de moçoilas hormônios bombando.


    O que não pode bombar é o relacionamento, ainda mais em época de violência contra a mulher, dentro e fora de casa, ao ponto de números alarmantes de feminicídio. Não é brincadeira com fetiches sexuais de patricinhas de shopping center, é caso de polícia.


    Que um mascarado de filme Pânico aqueça a borbulhar os hormônios das mocinhas patrícias de shopping center é de causar espanto ou crise de riso? É sinal de decadência moral ou de um novo filão nos subgêneros da ficção de terror e fetiches? 


    E se descobrirem quem é o tal mascarado fantasma? Um abusador de mulheres ou veiculador de fotos íntimas ou influencer de canal red pill (? É daqueles caras que só ficam falando de mulheres, com tom totalmente desprezo e misoginia)? E se for? Um cara que batia na mulher e fugiu de ser preso? 


    Então vai dar mais realidade? Vai ter mais tensão e tesão? Vai aumentar a fila das 'góticas' modernas em busca de um bad boy? Vai receber cartas apaixonadas na prisão? Vai ganhar um seriado de serial killer? Ou uma vaga no próximo previsível e inevitável BBB?


    Enquanto isso as mulheres seguem sendo agredidas dentro e fora de casa. Seguem violentadas e assassinadas pela condição de serem mulheres. E sem qualquer fantasia ou fetiches ou prazer. Sem qualquer romance ou tapa na cara fake. Não é literatura, é noticiário policial. É violência e por isso é inadmissível. Chega de dark romance.


Set 26 


LdeM 


Leonardo de Magalhaens

Escritor, crítico literário 

Canal Literatura Agora!

 no YouTube 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

China Cultura Milenar : Um panorama da literatura chinesa by LdeM

 



                                                            fonte da imagem: Internet


China Cultura Milenar 

Um panorama da literatura chinesa 



by LdeM 



        Para Regina Mello [MUNAP]



    Em 1974, um evento arqueológico de grandes proporções despertou a China Popular: uns oito ou dez mil guerreiros em terracota (argila cozida) foram desenterrados num mausoléu (monumento fúnebre) de 2,2 mil anos!


    Vinte e dois séculos de história do primeiro (proclamado) Imperador da China, que uniu três Reinos no centro e norte, ao longo do Rio Amarelo (Huang Ho). Posteriormente os han, a etnia predominante, descem para o centro e sul, para o Rio Azul (Yangtze). 


    Uma civilização que se preze tem poesia e religião, e no caso chinês a poesia e a mística estão unidas na obra fundamental de Lao Tzu ou Tsé, o Tao Te Ching, o Caminho Perfeito. Também a estratégia militar tem importância com a obra Arte da Guerra do sábio Sun Tzu. Momentos de reinos em combate e ainda sem o aparato burocrático a ser inspirado na obra meritória de Confúcio.


    Lao Tzu e Confúcio e Sun Tzu inauguram a civilização que hoje chamamos chinesa, ao longo de 2,7 mil anos! Incluindo as fábulas e quase koans da poética taoísta de Zhuangzi que sonhava ser borboleta ( ou borboleta que sonhava ser humano?) e Shen Buhai e os dragões, as majestosas serpentes aladas, símbolos da China Imperial.


    Além de Confúcio e Lao Tzu, a civilização chinesa recebeu a visita e influência da cultura budista, vinda da Índia, desde antes da Era Cristã, e que se integrou ao taoísmo [ou daoismo] com a doutrina Chan (será o zen budismo no Japão).


    A China que temos em nosso imaginário no Ocidente é aquela da época de Marco Pólo, o viajante italiano, no século 14, que conheceu o Império dos mongóis, os Genghis Khan, os Kublai Khan, etc, que dominaram a civilização chinesa e se expandiram até a Europa, passando por Bagdá, onde caiu a Era de Ouro do Islam, no século 13.


    Vitimados por invasões estrangeiras, do norte e do oeste, a China Imperial uniu as defesas principais na imensa Muralha da China, já na dinastia Ming, considerada o ápice da cultura chinesa, com as artes e a cerâmica. E a poesia! Destaque para a poética de Chen Renxi, arauto da técnica e da persistência (o que muito nos lembra o nosso Bilac...) na lírica e na prosa. 


    Os jesuítas chegaram em suas missões durante o século 16 até o Império chinês durante a dinastia Ming e aprenderam mais sobre o idioma e os ideogramas da difícil escrita, numa árdua labuta de tradução. Entre palavras e ideias e civilizações.




    Mesmo com exércitos e muralhas, os han não impediram o avanço manchu, vindos do norte e nordeste, que dominaram os chineses até o início do século 20! Os manchus oprimiram os chineses até no corte de cabelo! Mas adotaram muita cultura chinesa de base em Confúcio e os imperadores aceitaram tanto taoísmo quanto budismo. A conhecida imperatriz Cixi era famosa por sua devoção budista.


    O Império chinês oscilava entre abertura comercial e total rejeição dos ocidentais. Só após guerras internas e invasões, na época das Guerras do ópio, o Império chinês aceitou abrir os portos aos europeus, que até serviriam como exércitos mercenários contra a Rebelião Taiping (meados do século 19), uma revolta camponesa com influências ‘messiânicas’.


    O último imperador chinês foi um menino, Pu Yi, da dinastia dos manchus, que viveu à sombra do domínio japonês, que avançou assim que percebeu o declínio chinês e a divisão interna. A República foi proclamada, em 1912, mas as diferenças e os conflitos entre nacionalistas e comunistas levaram a uma série de guerra civil, que só teve pausa na causa comum contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial.





                                                                fonte da imagem: Internet



    Do início do século 20 ao longo de todo o século, a civilização chinesa passou por dissensões, conflitos, êxodo rural, mudanças de regime, urbanização e megacidades. E a instabilidade só teve fim com um regime fechado a partir de 1949, com os maoístas.


    A época de transição e modernização, entre feudalismo e a república, foi melhor retratada por Lao She e por Lin Yutang. Homens da China moderna, que se apoiaram. Lao She escreveu para revistas de Lin Yutang, que acabou migrando para os Estados Unidos da América, para a famosa Chinatown. 


    Lao She fala dos camponeses que abandonaram os trabalhos árduos nas lavouras para conquistarem espaço nas cidades, na construção e/ ou puxando riquixás. Quanto a Lin Yutang os temas são aqueles dos imigrantes, da diferença cultural, do contrabando, do mercado paralelo, etc


    A condição das mulheres nas obras de Jung Chang (destaque para Cisnes selvagens, 1991) mostra as gerações desde a dinastia manchu até a Revolução Cultural, no momento da implantação da república, depois a guerra entre nacionalistas e maoístas, e contra os japoneses, até a vitória da China Popular do regime comunista. A autora também volta no tempo para uma extensa biografia da imperatriz concubina Cixi que permitiu a abertura ao comércio dos ocidentais e norteou a modernização chinesa ainda nos moldes dinásticos.



    Foi o Nobel de literatura em 2000 que destacou o autor Gao Xingjian, que depois foi para a França, o mesmo destino de outro escritor, o Dai Sijie. As obras de Gao Xingjian abordam o interior da China, os camponeses nas várias províncias, a diferença do campo para a cidade, num estranhamento que os maoistas tentaram resolver.


 Como? Enviando os estudantes para ajudarem os camponeses e assim aprenderem a labuta diária. Assim nos apresenta os dramas da arte literária de Dai Sijie. Que não esqueceu o passado: outro que lembra da dinastia manchu e seu último soberano, o menino imperador. 


    Os manchus vieram do norte e nordeste, lá onde se desenrolam os dramas de O totem do lobo, romance de Jiang Reng, sobre caçadas nas estepes e nas montanhas.


    Aliás montanhas e vales e rios é o que não falta na geografia da China, como bem demonstra a obra de Gao Xingjian e também de Da Chen, autor de Irmãos, ou A montanha e o rio, sobre as diferenças históricas de origem geográficas.


    A tensão entre camponeses e os funcionários, entre os funcionários e os militares estão nas obras de Da Chen, outro que foi para terras estrangeiras, no caso, os Estados Unidos. 


    Também para os Estados Unidos foi a autora Yiyun Li, do romance Os Excluídos, sobre as censuras e perseguições do regime maoísta, que implantou um socialismo real ou um capitalismo de Estado.


    A China Popular que permanece em nossas retinas é aquela da imagem de um homem solitário, um jovem em protesto, que interrompe em plena praça (a chamada da Paz Celestial) uma fileira de tanques blindados em avanço.


    As mudanças da política não mudaram os dramas da condição feminina, é o que aprendemos nas obras de Xinran, uma jornalista chinesa, hoje no Reino Unido, que denuncia, em As boas mulheres da China, a permanência das violências sofridas pelas mulheres numa cultura masculina opressora. A tradição não acompanhou a modernização técnica e econômica.



    Quanto a China do futuro, aquela dos arranha-céus e dos robôs, esta podemos encontrar nas obras de suspense e de ficção científica de Cixin Liu, famoso pela epopeia O problema dos 3 corpos, que vem misturar trama policial com censura política e conspiração alienígena!


    Recentemente, em 2012, o Nobel de literatura foi para outro chinês, Mo Yan, cujas obras abordam as mudanças na China, a urbanização brusca, as políticas de planejamento familiar, etc Diferente dos demais escritores, o autor pode publicar suas obras sob o regime que censura tantos. Tem quem o acuse de conivente ou alinhado com os dirigentes. Mas esta é uma resenha sobre literatura e cultura, e não um ensaio sobre política e muito menos geopolítica.



Ago 26 



LdeM 

Leonardo de Magalhaens


Escritor, crítico literário

Bacharel em Letras FALE / UFMG





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