quarta-feira, 10 de junho de 2026

Memento Mori & outros poemas by LdeM . 2026

 



                                                      fonte da imagem: Internet



Memento mori 


Lembra-te, ó homem, que morrerás, 
Ó vítima do tempo inclemente, 
Vives na terra um pobre ser gemente, 
Sem fé, então em dor, perecerás!

Em miséria crer penosamente, 
Quando da afronta do tempo terrível, 
No perdão nesta vida tão sofrível 
A sofrer sob domínio demente.

Ó criatura de tão pouca fé!
Pois voltarás ao pó entre as agruras:
Cavada está tua triste sepultura, 

Se ao Cristo não devotas plena fé, 
Na misericórdia da Redenção, 
Negas a Glória da Ressurreição!


Mai 26 


LdeM 


...


Corpo mestiço 


No meu corpo tenho setenta povos, 
De doze tribos, paleta de cores, 
Os antigos, ancestrais e os novos,
Nesta carne de dramas e de dores.

Povos das Américas, os nativos, 
E os d'além África, os escravos, 
Advindos, dentre os mortos, os vivos 
Sofrendo, dos europeus, os agravos.

Meu corpo branco, pardo, colorido,
Negro, caboclo, mulato, latino, 
Peregrina ansioso, mesmo dolorido, 

Marcado de açoite, em desatino, 
Mestiço, ou nômade ou perdido, 
Em busca de Fé, Paz e um destino.


Abr 26 


LdeM 


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                                                   fonte da imagem: Internet



Lira dos cinquent'anos 
(Soir de la decadence)

Eis o vento gargalha numa dor 
Gelidamente num poente sujo 
De fuligens em pungente odor: 
Sobe à goela um profundo nojo!

É o spleen tardio, riso astuto 
Na face kitsch de pálido ator, 
Só restará versos depois de tudo:
As imagens de patético horror!

Cinquent'anos e enfim tudo posto:
Desilusão, amargor, ou desgosto, 
Num semblante de íntimo pesar!

Ventania, desejos, dor noturna:
Tempo passado: voz inoportuna 
Que até a morte há-de te acompanhar!


Crepúsculo,
 Mai 26 

LdeM 



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Bebei da Água Viva 


Hoje não te prendas à finitude, 
Aos pálidos prazeres deste mundo, 
A viver neste vazio profundo, 
Sem vislumbrar a Luz da Plenitude!

No Eclesiastes, Tudo é vaidade, 
Voltarás ao pó, lá não há louvor, 
Aqui demonstras tremor e temor, 
Enquanto gozas a vitalidade.

Mas antes busqueis a Vida na Fonte 
D'Água Viva para a Eternidade, 
Olhando para além deste horizonte 

A contemplar a Luz da Santidade 
Com os fiéis em comunhão fraterna, 
Em Cristo tende a Fé na Vida Eterna!


Jun 26 


LdeM 

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Leonardo de Magalhaens

poeta, escritor, crítico literário
Bacharel em Letras FALE / UFMG



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