sexta-feira, 28 de agosto de 2026

China Cultura Milenar : Um panorama da literatura chinesa by LdeM

 



                                                            fonte da imagem: Internet


China Cultura Milenar 

Um panorama da literatura chinesa 



by LdeM 



        Para Regina Mello [MUNAP]



    Em 1974, um evento arqueológico de grandes proporções despertou a China Popular: uns oito ou dez mil guerreiros em terracota (argila cozida) foram desenterrados num mausoléu (monumento fúnebre) de 2,2 mil anos!


    Vinte e dois séculos de história do primeiro (proclamado) Imperador da China, que uniu três Reinos no centro e norte, ao longo do Rio Amarelo (Huang Ho). Posteriormente os han, a etnia predominante, descem para o centro e sul, para o Rio Azul (Yangtze). 


    Uma civilização que se preze tem poesia e religião, e no caso chinês a poesia e a mística estão unidas na obra fundamental de Lao Tzu ou Tsé, o Tao Te Ching, o Caminho Perfeito. Também a estratégia militar tem importância com a obra Arte da Guerra do sábio Sun Tzu. Momentos de reinos em combate e ainda sem o aparato burocrático a ser inspirado na obra meritória de Confúcio.


    Lao Tzu e Confúcio e Sun Tzu inauguram a civilização que hoje chamamos chinesa, ao longo de 2,7 mil anos! Incluindo as fábulas e quase koans da poética taoísta de Zhuangzi que sonhava ser borboleta ( ou borboleta que sonhava ser humano?) e Shen Buhai e os dragões, as majestosas serpentes aladas, símbolos da China Imperial.


    Além de Confúcio e Lao Tzu, a civilização chinesa recebeu a visita e influência da cultura budista, vinda da Índia, desde antes da Era Cristã, e que se integrou ao taoísmo [ou daoismo] com a doutrina Chan (será o zen budismo no Japão).


    A China que temos em nosso imaginário no Ocidente é aquela da época de Marco Pólo, o viajante italiano, no século 14, que conheceu o Império dos mongóis, os Genghis Khan, os Kublai Khan, etc, que dominaram a civilização chinesa e se expandiram até a Europa, passando por Bagdá, onde caiu a Era de Ouro do Islam, no século 13.


    Vitimados por invasões estrangeiras, do norte e do oeste, a China Imperial uniu as defesas principais na imensa Muralha da China, já na dinastia Ming, considerada o ápice da cultura chinesa, com as artes e a cerâmica. E a poesia! Destaque para a poética de Chen Renxi, arauto da técnica e da persistência (o que muito nos lembra o nosso Bilac...) na lírica e na prosa. 


    Os jesuítas chegaram em suas missões durante o século 16 até o Império chinês durante a dinastia Ming e aprenderam mais sobre o idioma e os ideogramas da difícil escrita, numa árdua labuta de tradução. Entre palavras e ideias e civilizações.




    Mesmo com exércitos e muralhas, os han não impediram o avanço manchu, vindos do norte e nordeste, que dominaram os chineses até o início do século 20! Os manchus oprimiram os chineses até no corte de cabelo! Mas adotaram muita cultura chinesa de base em Confúcio e os imperadores aceitaram tanto taoísmo quanto budismo. A conhecida imperatriz Cixi era famosa por sua devoção budista.


    O Império chinês oscilava entre abertura comercial e total rejeição dos ocidentais. Só após guerras internas e invasões, na época das Guerras do ópio, o Império chinês aceitou abrir os portos aos europeus, que até serviriam como exércitos mercenários contra a Rebelião Taiping (meados do século 19), uma revolta camponesa com influências ‘messiânicas’.


    O último imperador chinês foi um menino, Pu Yi, da dinastia dos manchus, que viveu à sombra do domínio japonês, que avançou assim que percebeu o declínio chinês e a divisão interna. A República foi proclamada, em 1912, mas as diferenças e os conflitos entre nacionalistas e comunistas levaram a uma série de guerra civil, que só teve pausa na causa comum contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial.





                                                                fonte da imagem: Internet



    Do início do século 20 ao longo de todo o século, a civilização chinesa passou por dissensões, conflitos, êxodo rural, mudanças de regime, urbanização e megacidades. E a instabilidade só teve fim com um regime fechado a partir de 1949, com os maoístas.


    A época de transição e modernização, entre feudalismo e a república, foi melhor retratada por Lao She e por Lin Yutang. Homens da China moderna, que se apoiaram. Lao She escreveu para revistas de Lin Yutang, que acabou migrando para os Estados Unidos da América, para a famosa Chinatown


    Lao She fala dos camponeses que abandonaram os trabalhos árduos nas lavouras para conquistarem espaço nas cidades, na construção e/ ou puxando riquixás. Quanto a Lin Yutang os temas são aqueles dos imigrantes, da diferença cultural, do contrabando, do mercado paralelo, etc


    A condição das mulheres nas obras de Jung Chang (destaque para Cisnes selvagens, 1991) mostra as gerações desde a dinastia manchu até a Revolução Cultural, no momento da implantação da república, depois a guerra entre nacionalistas e maoístas, e contra os japoneses, até a vitória da China Popular do regime comunista. A autora também volta no tempo para uma extensa biografia da imperatriz concubina Cixi que permitiu a abertura ao comércio dos ocidentais e norteou a modernização chinesa ainda nos moldes dinásticos.



    Foi o Nobel de literatura em 2000 que destacou o autor Gao Xingjian, que depois foi para a França, o mesmo destino de outro escritor, o Dai Sijie. As obras de Gao Xingjian abordam o interior da China, os camponeses nas várias províncias, a diferença do campo para a cidade, num estranhamento que os maoistas tentaram resolver.


 Como? Enviando os estudantes para ajudarem os camponeses e assim aprenderem a labuta diária. Assim nos apresenta os dramas da arte literária de Dai Sijie. Que não esqueceu o passado: outro que lembra da dinastia manchu e seu último soberano, o menino imperador. 


    Os manchus vieram do norte e nordeste, lá onde se desenrolam os dramas de O totem do lobo, romance de Jiang Reng, sobre caçadas nas estepes e nas montanhas.


    Aliás montanhas e vales e rios é o que não falta na geografia da China, como bem demonstra a obra de Gao Xingjian e também de Da Chen, autor de Irmãos, ou A montanha e o rio, sobre as diferenças históricas de origem geográficas.


    A tensão entre camponeses e os funcionários, entre os funcionários e os militares estão nas obras de Da Chen, outro que foi para terras estrangeiras, no caso, os Estados Unidos. 


    Também para os Estados Unidos foi a autora Yiyun Li, do romance Os Excluídos, sobre as censuras e perseguições do regime maoísta, que implantou um socialismo real ou um capitalismo de Estado.


    A China Popular que permanece em nossas retinas é aquela da imagem de um homem solitário, um jovem em protesto, que interrompe em plena praça (a chamada da Paz Celestial) uma fileira de tanques blindados em avanço.


    As mudanças da política não mudaram os dramas da condição feminina, é o que aprendemos nas obras de Xinran, uma jornalista chinesa, hoje no Reino Unido, que denuncia, em As boas mulheres da China, a permanência das violências sofridas pelas mulheres numa cultura masculina opressora. A tradição não acompanhou a modernização técnica e econômica.



    Quanto a China do futuro, aquela dos arranha-céus e dos robôs, esta podemos encontrar nas obras de suspense e de ficção científica de Cixin Liu, famoso pela epopeia O problema dos 3 corpos, que vem misturar trama policial com censura política e conspiração alienígena!


    Recentemente, em 2012, o Nobel de literatura foi para outro chinês, Mo Yan, cujas obras abordam as mudanças na China, a urbanização brusca, as políticas de planejamento familiar, etc Diferente dos demais escritores, o autor pode publicar suas obras sob o regime que censura tantos. Tem quem o acuse de conivente ou alinhado com os dirigentes. Mas esta é uma resenha sobre literatura e cultura, e não um ensaio sobre política e muito menos geopolítica.



Ago 26 



LdeM 

Leonardo de Magalhaens


Escritor, crítico literário

Bacharel em Letras FALE / UFMG





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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Parada Final . Crônica by LdeM. Ago 26


 

                                                     fonte da imagem: Internet



    Crônica 


    Parada final 


    O Sr. Arquimedes morreu quinze minutos depois de subir no ônibus rumo ao centro de BH, passando pelo Mineirão. Foi infarto fulminante. Só perceberam quando o ônibus chegava na parada final.


    Ao lado do Sr. Arquimedes se sentaram onze pessoas ao longo do trajeto, segundo apurado (ou imaginado). Duas puxaram conversa e as demais ignoraram solenemente.


    O Sr. Gentil, 45 anos, pai de família, embarcou na estação Lagoa do Nado, muito apressado e se assentou ao lado de um cidadão que parecia cochilar, mas de olhos semiabertos. Fez um discurso sobre o tempo, comentou a inflação, o jogo do campeonato, o escândalo do Lulinha. Toda época eleitoral é assim né 


    O Sr. Arquimedes não respondeu (pois que era ele) e numa das danças das cadeiras, o Sr. Gentil foi se sentar do outro lado. 


    Na estação Pampulha entrou uma senhora, a dona Yasmin, 40 anos, diarista, que trabalha numa das mansões perto do Mineirão. Todos os dias o mesmo horário e lotação. Viajava sonolenta e não deu nem ouviu palestra. Julgou apenas que devia ser um bêbado que passou a noite numa farra.


    Depois do Mineirão, perto da universidade, subiu um casal, morena e ruivo, baixa e alto, cada um se sentou de um lado. O homem se acomodou ao lado do Sr Arquimedes, sem sequer se dignar a olhar. A mulher também não se lembra. Estavam preocupados com um assunto de família. Parece que a doença de um parente ou a denúncia de um vizinho.


    O casal desceu depois do shopping Del Rey. Subiu uma senhora, dona Cecília, 50 anos, evangélica, rentista, dona de casas de aluguel, bem de vida. Gostava de pegar ônibus para ir ao culto numa Tenda dos milagres perto da Pedro II. Muito devota. Não sabe descrever o homem ao lado. Parece que dormia ou sonhava acordado.


    Quando o ônibus chegou ao centro de BH em plena Bias Fortes, o Sr. Arquimedes já tinha outra companhia, uma jovem que seguia para a academia lá na Espírito Santo com Álvares Cabral. Ela sequer olhou pros lados.


    Depois que o ônibus passou pelo Edifício Arcângelo Maletta, entrou um bêbado que falava sozinho. Passou a noite bebendo e torcendo pro time do coração. O time infelizmente não passou pra próxima fase da Libertadores. Desde a Lagoinha, subindo rua São Paulo, fazendo serenata na Afonso Pena até chegar ao Maletta a alvorada o alcançou.


    Conversou animadamente com o Sr. Arquimedes sobre a derrota do time do coração, os amores perdidos e desilusões de juventude, lamentou os tantos moradores de rua ali na capital, abordou a crise diplomática do Brasil e Argentina, confessou que torceu pelo Messi, disse que ia mesmo votar no Lula. 


    Ainda falando desceu ali perto do shopping Diamond, onde era outrora sede do time odiado, não o amado. Em nenhum momento esperou qualquer resposta do Sr Arquimedes, que aliás manteve respeitoso silêncio.


    Eu disse onze pessoas, não lembro das outras. Os depoimentos também se divergem e se contradizem. Ninguém viu nada nem sabia de coisa alguma.


    O lotação passou pelo centro e voltou pra Pedro II no trajeto de todos os dias, faça sol, faça chuva. O Sr. Arquimedes não tocou uma palavra ou gentileza. Não se importou em ser ignorado. Ou julgado bêbado e amigo comparsa de bêbados e boêmios. Pobre Sr. Arquimedes que morreu sem sequer Pai Nosso ou Ave Maria nos lábios.


    Só quando voltavam para a parada final uma passageira, a Sra. Antônia P. Mendes alertou ao motorista do estranho passageiro ali agora já quase tombado sobre si mesmo. Pânico geral. 


    Sr. Arquimedes Lopes Garcia, 68 anos, pai de três e avô de cinco, mestre de obra, morador do bairro Minas Caixa, Venda Nova, numa chácara que ele havia comprado nos anos 80. Seu propósito era descer ao centro para averiguar documentos para a aposentadoria. Deus conforte a família.



    Ps. Qualquer coincidência é mera semelhança (ou não?)



    Ago 26 



    LdeM 


Escritor, crítico literário

Bacharel em Letras FALE / UFMG


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Um não-enredo / Listas - by LdeM

 





                                                  Fonte da imagem: Internet


    Um não-enredo 


Não conquistei o hexa. Não conquistei a medalha

de ouro. Não fui famoso no YouTube. Não conversei

na catedral. Não desci no barco bêbado. Não dormi

com Dorian Gray. Não beijei o Dalai Lama. Não traí

Marilyn Monroe. Não falei a língua dos anjos. Não

fui arrebentado ao Terceiro Céu. Não recebi a

Sagrada Torah. Não escrevi a Lei Áurea. Não descobri

Macchu Picchu. Não peregrinei até Aparecida. Não

conheci Fernão Dias. Não pulei de paraquedas. Não

lutei na Guerra do Paraguai. Não insultei o Milei.

Não fui mercenário na Ucrânia. Não escrevi o roteiro

da Odisseia. Não filmei Star Wars. Não fiz a dieta

da lua. Não participei da conspiração aquariana.

Não fui convidado da maçonaria. Não fui membro

dos Illuminati. Não derrotei o Thanos. Não atirei

no Papa. Não fui sequestrado pela máfia. Não fui

torturado no DOPS. Não fui abduzido por aliens.

Não disputei a Presidência. Não fiz pós-doutorado

em London. Não matei John Lennon. Não desbravei

o Recôncavo Baiano. Não ganhei na Mega-Sena.

Não fui da Academia de Letras. Não ganhei o Nobel

da Paz. Não fui amigo do Mozart. Não fui ao show

do Roger Waters. Não descobri a cura do câncer.

Não escalei o Aconcágua. Não morri em Diamantina.

Não conquistei o hexa.


Jul 26 


LdeM 













    Listas 



Quando não estou completando palavras cruzadas,

Imperador romano? Com sete letras? Augusto? Adriano?

Joviano? Juliano?, me agradam as listas. Assim como

a rascunhar listas de compras, de souvenires, de discos,

de livros e autores. Às vezes encontro alguma dentro

dos diários, dos dicionários, das gramáticas. O Vermelho

e o Negro, Crime e Castigo, Os Miseráveis, Germinal,

Moby Dick, Dom Casmurro, Retrato de Dorian Gray,

Encontro Marcado, O Tempo e o vento, Quarup,

Grande Sertão: veredas, Viva o povo brasileiro; London,

Paris, Brasília, Roma, Rio de Janeiro, Ciudad de México,

Dublin, Veneza, Koln ou Cologne, Berlin, Istambul;

Caetano, Gil,  Chico, Gal Costa, Rita Lee, Cazuza, Belchior,

MPB4; Dante, Bocaccio, Petrarca, Camões, Quevedo,

Lope de Vega, Gongora, Padre Vieira, Gregório de Matos;

Bach, Handel, Vivaldi, Corelli, Albinoni, Scarlatti, Tellmann,

Sardelli, Torelli, Rossini; alface , arroz, açúcar, almôndegas,

almofada, alferes, almoxarife; Canadá, States, México,

Panamá, Colômbia, Chile, Argentina, Brasil; Genesis,

Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes;

Genesis, Yes, Camel, Nektar, ELP, BMS, PFM, Focus,

Triumvirat, Eloy, Novalis, Solaris; Cecília Meireles,

Henriqueta Lisboa, Rachel de Queiroz, Clarice Lispector,

Lygia Fagundes Telles, Hilda Hilst, Adélia Prado, Nélida

Pinon, Ana Miranda; Beatles, Who, Queen, Bowie, Smiths,

Cure, Depeche, U2, Oasis, Verve, Radiohead, Travis;

Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges,

Flávio Venturini; Mutantes, Ira!, Barão, Titãs, Legião, Capital,

Paralamas, Engenheiros, Plebe, Skank; Let it be, Panis et

Circensis, Linda Juventude, Coração de estudante, Planeta

Sonho, Rua Ramalhete, Réquiem para Matraga, I believe,

Yesterday, Time, Todo azul do mar, Nuvem passageira,

Noites com sol, Toda lua, Certas coisas, Terra Planeta Água,

Cálix Bento, Canção da América, Cio da Terra, Sol de

primavera, A paisagem da janela, Norwegian Wood,

Bohemian Rhapsody;



Jul 26 


LdeM 



Leonardo de Magalhaens 

Escritor, crítico literário

Bacharel em Letras FALE / UFMG 


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Memento Mori & outros poemas by LdeM . 2026

 



                                                      fonte da imagem: Internet



Memento mori 


Lembra-te, ó homem, que morrerás, 
Ó vítima do tempo inclemente, 
Vives na terra um pobre ser gemente, 
Sem fé, então em dor, perecerás!

Em miséria crer penosamente, 
Quando da afronta do tempo terrível, 
No perdão nesta vida tão sofrível 
A sofrer sob domínio demente.

Ó criatura de tão pouca fé!
Pois voltarás ao pó entre as agruras:
Cavada está tua triste sepultura, 

Se ao Cristo não devotas plena fé, 
Na misericórdia da Redenção, 
Negas a Glória da Ressurreição!


Mai 26 


LdeM 


...


Corpo mestiço 


No meu corpo tenho setenta povos, 
De doze tribos, paleta de cores, 
Os antigos, ancestrais e os novos,
Nesta carne de dramas e de dores.

Povos das Américas, os nativos, 
E os d'além África, os escravos, 
Advindos, dentre os mortos, os vivos 
Sofrendo, dos europeus, os agravos.

Meu corpo branco, pardo, colorido,
Negro, caboclo, mulato, latino, 
Peregrina ansioso, mesmo dolorido, 

Marcado de açoite, em desatino, 
Mestiço, ou nômade ou perdido, 
Em busca de Fé, Paz e um destino.


Abr 26 


LdeM 


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                                                   fonte da imagem: Internet



Lira dos cinquent'anos 
(Soir de la decadence)

Eis o vento gargalha numa dor 
Gelidamente num poente sujo 
De fuligens em pungente odor: 
Sobe à goela um profundo nojo!

É o spleen tardio, riso astuto 
Na face kitsch de pálido ator, 
Só restará versos depois de tudo:
As imagens de patético horror!

Cinquent'anos e enfim tudo posto:
Desilusão, amargor, ou desgosto, 
Num semblante de íntimo pesar!

Ventania, desejos, dor noturna:
Tempo passado: voz inoportuna 
Que até a morte há-de te acompanhar!


Crepúsculo,
 Mai 26 

LdeM 



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Bebei da Água Viva 


Hoje não te prendas à finitude, 
Aos pálidos prazeres deste mundo, 
A viver neste vazio profundo, 
Sem vislumbrar a Luz da Plenitude!

No Eclesiastes, Tudo é vaidade, 
Voltarás ao pó, lá não há louvor, 
Aqui demonstras tremor e temor, 
Enquanto gozas a vitalidade.

Mas antes busqueis a Vida na Fonte 
D'Água Viva para a Eternidade, 
Olhando para além deste horizonte 

A contemplar a Luz da Santidade 
Com os fiéis em comunhão fraterna, 
Em Cristo tende a Fé na Vida Eterna!


Jun 26 


LdeM 

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Leonardo de Magalhaens

poeta, escritor, crítico literário
Bacharel em Letras FALE / UFMG



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