fonte da imagem: Internet
Crônica
Meus bons amigos
"Meus bons amigos, onde estão
Notícias de todos quero saber"
Barão Vermelho
Ouvindo uma velha canção rock'n'roll me lembrei dos meus bons amigos. Pessoas que conviveram comigo três décadas atrás e aqueles que conheci nas duas últimas.
Onde estão? Em BH ou no estrangeiro? Casados ou desquitados? Pais de família? Devotos católicos? Convertidos evangélicos? Livres ou prisioneiros?
Lembrei do Lindomar, o companheiro dos goles nos fins de semana. Um cara do metal pesado que era de uma família do interior e que era office boy. Gastava todo o dinheiro com bebidas e mulheres.
Depois, da última vez que o encontrei, estava casado. Fez amizade na igreja evangélica onde tocava bateria, se converteu e casou com a filha do pastor. Conseguiu carta de indicação para trabalhar numa empresa de equipamentos para construção pesada.
Lembrei do Luka, também músico, que virou professor e foi para Sampa e depois para o interior paulista e depois para o interior baiano. Casou e descasou. Continua professor?
Tem também o Jovin, nome dado pela galera, no cartório era Matheus B**, não era músico, mas fanático pelo rock e que não perdia shows, seja de bandas covers até atrações internacionais. Da última vez que vi o Jovin estava casado e com um filho recém nascido.
Era o maior anticristo. Hoje deve estar em alguma igreja evangélica.
Certo dia vi a foto do Tony, o Antonio, que eu conheci na faculdade. Na rede social ele está bem-vestido. Ou virou empresário ou pastor de igreja. Ostentação ou falsa imagem? Marketing pessoal?
Quando conheci o Tony ele era socialista militante, com camiseta do Che e pregando revolução agrária. Mas as coisas mudam, né? Incendiário aos vinte mas empresário aos quarenta. Se ele está feliz, tudo bem.
Era uma turma animada. O pessoal da faculdade era tudo calouro se defendendo dos veteranos. Hoje cada um para um lado; bacharel continuou amigo do bacharel. Os mestres só amigos dos que também tem mestrado. Os doutores só andam com os raros com anel de doutorado. Assim caminha a humanidade.
Meus bons amigos às vezes eu revejo nas redes sociais. Ou às vezes quando dou umas voltas em BH. Tempos atrás quase cumprimentei o Thales mas ele não me reconheceu.
Meu amigo gótico continua gótico e católico. Ele estava saindo da primeira missa da manhã. Acho que é o único que não mudou. Só não era tão católico.
Hoje ele também não acreditaria que sou católico. A moda agora é curtir um show na igreja evangélica de paredes pretas com projetor de luzes coloridas e enormes telas de alta resolução.
Meus bons amigos estão por aí cada um em sua cela acolchoada. Cada um com seus dramas e traumas e felizes de não terem os dramas dos outros, mas achando o gramado do vizinho mais verde e deslumbrante. Ou o carro do vizinho ou a mulher do vizinho ou a religião do vizinho ou os amigos do vizinho.
Meus bons amigos onde estão? Será que quero mesmo saber? Tenho medo de encarar seus fracassos ou invejar seus sucessos. Por isso fico longe deles e eles longe de mim.
Jan 26
LdeM
Escritor, crítico literário
canal Literatura Agora! no YouTube
.:

Nenhum comentário:
Postar um comentário