segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Sobre A Reinvenção da Metáfora: As bodas de Rogério Salgado. 2025.

 



                                                   fonte da imagem: poeta Rogério Salgado



Sobre A Reinvenção da Metáfora:

As bodas de Rogério Salgado 

Seleção, organização e prefácio de 

Luiz Otávio Oliani

Ventura Editora, 2025



    Um grande lançamento! Com duas assinaturas de peso: poemas de Rogério Salgado segundo a seleção de Luiz Otávio Oliani. O melhor da poesia e da crítica literária das últimas duas décadas. 


    As primeiras obras de Rogério Salgado que eu li foram Um Quarto de Ofício e Quermesses, de 2000 e 2005, respectivamente. Um poeta com duas décadas de carreira e renome... Agora são cinco décadas conhecidas e reconhecidas.


    Rogério Salgado é um poeta de vasta obra que apresenta fases igual a um Drummond de Andrade, desde a poesia engajada, de denúncia social, até uma poética mais intimista, sobre suas dores e paixões, a difícil missão de ser no mundo. O que sempre me cativou desde o início foi a sinceridade. (Um poeta que não é fingidor. Para contrariar um Fernando Pessoa. ) E sempre fui sincero com a obra de Rogério Salgado (mesmo que em algum momento de sua carreira o Poeta não tenha se agradado de minhas críticas).


    Esta diversidade na obra de Rogério Salgado foi percebida e sinalizada pelo olhar crítico do professor Luiz Otávio Oliani que segmentou a obra segundo as temáticas -- metalinguagem, crítica social, erotismo, memórias e homenagens, e uma miscelânea. Ajuda o leitor ou a leitora que (oh Céus!) ainda desconhece a poética de Rogério Salgado. 


    Importante: Mais do que um poeta, o caro Rogério Salgado é um ativista da cultura e um militante da poética. E com um destaque invejável. 


    Em BH temos vários polos de difusão cultural nas regionais. Saraus na Savassi ou no Barreiro, na Lagoa do Nado ou em Venda Nova. Cada um no seu quadrado, no seu grupinho.


     Mas o Poeta Rogério Salgado é  uma das raras exceções: ele tem voz e contato nos vários grupos. Ora eleva sua voz na Praça Sete, ora se materializa na Savassi, ora se manifesta em Venda Nova. Só não digo que o poeta é onipresente, pois este é atributo divino...


    Esta presença nos eventos com seus poemas multifacetados é que garante a permanência e frutificação de sua poética e carreira de poeta e agitador cultural. Pois a poética de Rogério Salgado não é marcada por originalidade ou pirotecnia. É um construto de sinceridade. Justamente o que disse no início desta resenha. Nada de simulações e simulacros: temos o poeta do jeito que ele é: ele mesmo! 


    Seu conhecimento e sua sabedoria não é artigo de ostentação mas o destilado de uma vida de experiências, seja errando seja acertando. 


    Acho que já escrevi isso quando fiz a crítica de Trilhas Antologia Poética (2007): o poeta não programa e não planeja: vê o que a vida entrega e carrega e então faz seus versos sem seguir cartilhas ou vanguardas.


    É difícil situar em qual estilo de época se baseia a obra de Rogério Salgado, pois é tanto modernista quanto pós-moderna. Tem grandes temas ao mesmo tempo em que despreza grandes temas e a tradição. Ao mesmo tempo é um saudosista com imagens do mundo de outrora.


    Eu também fui um iconoclasta contra o sistema e a tradição, tanto que fui um entusiasta na leitura de Quermesses, uma crítica feroz contra os católicos e beatos, devotas e carolas. Não sabíamos nós que o problema nem estava com os católicos mas com as denominações religiosas. E ainda mais, os mercenários da fé alheia nos meios evangélicos, pentecostais etc. Ainda mais nestas duas décadas em que os católicos sofreram sensível redução, segundo o último Censo. 


    Este é um detalhe da obra de Rogério Salgado: a voz combativa. O poeta que desce das nuvens e fala da vida cotidiana, do aqui e agora. A poética é uma marreta contra as hipocrisias e as opressões e os radicalismos e a caretice ululante. 





                                                    fonte da imagem: poeta Rogério Salgado



    Outro destaque nesta obra A Reinvenção da Metáfora, além da poética de Rogério Salgado, é o olhar atento de leitor especialista do professor Luiz Otávio Oliani, que mostra a importância da Crítica Literária num país de não leitores; ser um farol no meio da neblina. O crítico dá uma peneirada para separar o joio do meio do trigo. 


    O olhar crítico do professor Luiz Otávio Oliani percorre os labirintos da obra e sabe captar as mensagens nas metáforas e metonímias, nas figuras de linguagem e nos trocadilhos, na poesia visual e nos insights concretistas. Dá então um mapa desdobrado aos leitores e às leitoras: seu olhar crítico é o nosso útil GPS nas trilhas da leitura.


    Só temos que agradecer ao poeta e crítico Luiz Otávio Oliani por esta empreitada de leitura e críticas, para situar os nomes da poesia brasileira contemporânea no que tem de relevante. Sem a figura do crítico literário a literatura segue sem rumos e sem critérios. Cada um escreve o que quer e chama de conto. Cada uma escreve uns versos e chama de soneto! Complicado. 


    Para finalizar esta resenha direta e sincera com uns versos marcantes do poeta Rogério Salgado que merece toda a nossa atenção e consideração.


"Cada partícula de mim é poesia/ 

por isso sou humano/

 e mano a mano/

por cada ser humano/

/ que merece respeito./(...)"

...


(“Humano”, p. 33)





Dez 25



Leonardo de Magalhaens 

Escritor, crítico literário 

Bacharel em Letras FALE UFMG 

Canal LdeM Literatura Agora!

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                                           fonte da imagem : poeta Rogério Salgado


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