série 10 livros fundamentais
sábado, 19 de novembro de 2022
10 livros fundamentais -- dicas de leituras -- no canal LdeM Literatura Agora!
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
2 poemas de João Diniz in O Livro das Linhas / BH, 2020
João Diniz
in O Livro das Linhas / BH / 2020
linha do horizonte
janela
gemidos da natureza frágil
volúpias de acrobatas tontos
fumaças do produzir aflito
abismos do desejar volátil
perigos do afirmar silente
procuras do duvidar constante
misérias do dominar humano
carências do possuir mandante
passam por esta janela
cenários do encontrar distante
destinos de separar amantes
desejos de atravessar limites
saudades de aproximar estranhos
passam por esta janela
vestígios do existir passado
promessas que hão de vir mudadas
enganos a dirigir pessoas
avanços a calcular o passo
mentiras a entreter otários
problemas a resolver no tempo
distâncias do entender vencidas
bloqueios do caminhar ousado
passam por esta janela
…
linha melódica
música
na caverna pré-histórica
entre fogueira e caçadas
no silêncio do mosteiro
circulando na fé do pátio
no mercado medieval
no odor e temor da inquisição
… ali havia música
na gótica catedral
entre velas preces e penumbra
no palácio imperial
em ricos bailes comissionados
sob as pontes noturnas
junto com frio fábulas e fome
… ali havia música
no campo de batalha
embalando ódios e saudades
entre a garra da revolução
conspirando o futuro ideal
na mundana festa ébria
junto ao gozo dos desejos breves
… ali havia música
nas bodas apaixonadas
em ricas ou pobres danças
no sonho das juventudes
em seus quartos ou passeatas
nas idosas memórias
onde o passado é maior que tudo
… ali havia música
no silêncio da floresta
numa imaginada sinfonia natural
na nervosa metrópole densa
nos vendidos motores publicitários
na última horizontal vivida
com possíveis choros sinos e anjos
… ali havia música
na lembrada infância boa
nos folguedos e cantigas travessas
no espaço ocupado
marcando o ritmo orgânico do tempo
na mente silente
entre ideias saudades e memórias
… ali havia música
música que toca canta embala e cala …
in O Livro das Linhas / Caravana, BH / 2020
João Diniz (BH) é arquiteto e professor, poeta e performancer.
Autor de Ábaco [2011] e Aforismos experimentais [2014].
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terça-feira, 18 de outubro de 2022
Literatura. Série. Dicas de leituras. by LdeM
Literatura.
Série.
Dicas de leituras
by LdeM Youtube
Literatura. Elementos das Narrativas.
Mitologias. Jornada do Herói. Mitos de Criação.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Tipos. Funções. .O que é? Pra que serve?
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Fantasia. Sagas. Medievalismo. .Terra-Média.
Nárnia. Westeros. Século XX.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Fábulas. Contos de Fadas. Esopo. La Fontaine.
Perrault. Irmãos Grimm. Andersen.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Fábulas. Contos de Fadas. 2) Obras Autorais.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Ficção Científica. Sci-Fi. Time Machine.
Eu, Robô. Fahrenheit 451. As Crônicas Marcianas.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Poesia na Modernidade. Charles Baudelaire.
Século 19. Pós-Romantismo. Poetas malditos.
Simbolismo. Decadentismo.
https://www.youtube.com/watch?
Literatura. Surrealismo. Sonhos. Poesia surrealista .
https://www.youtube.com/watch?
Literatura. Poesia surrealista. 2.
Poesia brasileira.
https://www.youtube.com/watch?
Literatura. Walt Whitman. .Poesia estadunidense.
Geração Beat. 1
https://www.youtube.com/watch?
Literatura. Geração Beat. 2. poemas de Ferlinghetti.
Ginsberg. Bukowski. Roberto Piva.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura. Série. Poesia. Dylan Thomas.
Geração Beat. Bob Dylan.
https://www.youtube.com/watch?
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Literatura de Testemunho, de Denúncia. Estudos sobre o Shoah.
Diário de Anne Frank.
https://www.youtube.com/watch?
Literatura brasileira sobre a Cultura indígena.
Literatura modernista sobre os povos indígenas.
Literatura atual criada pelos povos originários.
Lendas, folclore, poesia. Literatura infanto-juvenil.
https://www.youtube.com/watch?
Literatura de Cordel. Vários autores. Dicas de leitura.
Literatura infanto-juvenil.
https://www.youtube.com/watch?
Literatura mundial e brasileira adaptadas para
histórias em quadrinhos. Graphic novels.
Dicas de leituras. Literatura infanto-juvenil.
https://www.youtube.com/watch?
Dicas de leitura. A obra do autor brasileiro João Anzanello
Carrascoza. São Paulo, 1962-
https://www.youtube.com/watch?
Literatura sobre a cultura africana. Literatura africana.
Mitos, lendas, folclore.
Literatura infanto-juvenil.
https://www.youtube.com/watch?
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by LdeM 2022
terça-feira, 4 de outubro de 2022
tudo ao mesmo tempo agora NOW! -- by LdeM
tudo ao mesmo tempo agora NOW!
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uma live no face sobre a destruição da Amazônia
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uma palestra no youtube com mestrandos pós-modernistas
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uma live no youtube sobre a poética indígena
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uma live no insta contra os corruptos de esquerda
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jornal ao vivo com entrevista de presidenciável
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entrevista com político lavajatista agora
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o show da melhor banda de todos os tempos agora
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uma live sobre Senhor dos Aneis e o reino dos anãos
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uma entrevista com o professor especialista em Shakespeare
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uma live no insta com radicais antipetistas governistas
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uma palestra de magnatas para futuros magnatas
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uma live conspiratória para as tias do zap
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candidatas musas em vídeos do tik tok
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mais um desfile de notícias fake no kwai
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série de twitters sobre novos esquerdistas oportunistas
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nova canção do prog metal mundial lançada agora
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jornal ao vivo com astróloga famosa na high society
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série de twitters sobre um presidenciável rachadista
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uma live com ex-presidente leitor de filosofia
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jornal ao vivo com economista convertido ao messianismo
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show ao vivo da melhor banda rock inglês hoje!
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show de piadas num stand up comercial
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live do presidente que ainda não caiu na real
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jornal ao vivo com notícias quentes sobre a frente fria
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estreia da nova canção do melhor do reggae universitário
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série de twitters comemorando explosão de asteroide
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live de nerds comemorando nova série de Star Wars
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uma live com candidato ultraneoliberal da vez
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jornal ao vivo com senador ruralista latifundiário governista
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live agora imediata com novas revelações contra petistas
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novo canal youtuber revela suas preferências sexuais
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série de twitters exigem Sudeste – separatismo já !
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live glamourosa com governistas desesperados
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live realista com a Oposição em alerta
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out/22
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Leonardo de Magalhaens
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quarta-feira, 21 de setembro de 2022
Sobre Balada da misericórdia na primavera -- de Erivan Santana 2022
sobre Balada da misericórdia na primavera [2022]
do poeta Erivan Santana
[Academia Teixeirense de Letras ATL - Bahia]
Cantigas para a Passagem do Tempo
É preciso viver o Agora. Deixar as sombras do passado e as ansiedades pelo futuro, e se entregar ao momento presente. Superar as nostalgias do passado e as expectativas diante do futuro. Só existe o Agora, o aqui e agora. O restante já se foi ou ainda virá.
O Ontem deixa marcas no Hoje que tem as potencialidades do Amanhã. É um ciclo em eterno retorno, numa roda de construção e destruição. A mente consciente de sua condição efêmera aceita sua finitude e vive em recordações e em projetos – se lança nas possibilidades. Tanto há angústia em lembrar o tempo que se foi quanto em imaginar o futuro que se anuncia.
Em Balada da misericórdia na primavera, de pé diante do real, temos o Poeta Erivan Santana no aqui-e-agora a testemunhar e denunciar as desigualdades, as tragédias, as guerras, ao apontar para uma geração de homens ocos , hollow men, de T. S. Eliot,
Ouço vozes altas, alegres e perturbadoras
Os homens, absortos em fugazes distrações,
Não leram os versos do poeta
Deixando serem levados pelo vento
[...]
Homens ocos, vazios
Mesmo posicionados lado a lado não se sustentam
A morte lhes pinta o cabelo de branco todos os dias.
[O Café, p.17]
O Poeta sofrendo o ciclo dos tempos, fragmentado pela mente ciente, em ontem, hoje e amanhã, testemunha sua nostalgia, um inútil sentimento, apenas porque somos finitos e efêmeros, enquanto o tempo é completo na Eternidade,
As cartas de Neruda
Não chegaram a tempo
O tempo não para
Para o poeta
As rugas, as mãos
A face refletida no espelho
O trem das onze
O tempo só para
Para a eternidade
[O poeta e o tempo, p. 21]
Dentro da eternidade, nos ciclos que se sucedem, vivemos o aqui-e-agora dos nossos dramas, das tragédias, nossa época de tragédias anunciadas, de catástrofes ambientais, em Mariana, em Brumadinho, onde as vidas humanas são carregadas por mares de lama que devastam meio ambiente e famílias inteiras, para a indiferença das empresas que apenas visam o lucro.
A natureza se cansou de represar
A ambição, a avareza, o caos
O som não era do trovão
Era anúncio de morte
...
Para a Vale, quanto
A vida vale?
[Tempo Presente, p. 37]
Na passagem do tempo, o Poeta tem diante dos olhos uma sucessão de imagens, de flashes, de momentos preciosos da vida, povoada de cenas, canções, pinturas, passos de dança. Assim as imagens das artes que aliviam o peso da efemeridade, e trazem uma celebração da vida,
Por isso, Cézanne pintou
Um mergulho em tela cheia
Em cores, celebração da vida
[XI Mandamento, p. 13]
Venha como vier
Sempre do seu jeito
Debret nos espera
Com o café e a história
No canto da livraria
[Brasilidades, p. 72]
Afundado em nostalgia o Poeta revive as imagens do passado, o Verão do Amor, Summer of Love, em Londres, a apoteose dos Beatles, a Geração Beat, o Clube da Esquina, a Tropicália, os Novos Baianos, o rock psicodélico, os Mutantes, todo um espírito de época, Zeitgeist, que compõem não só o passado, mas o que o Poeta é hoje. Seu Eu-hoje, pleno, criador, está impregnado de Eu-ontem, numa reencenação saudosista.
Uma voz distante chegava até nós
Uma noite em 69
Sharif Dean, Beatles, Rolling Stones
[…]
O sonho de uma geração
Marcada pelo transe da rebeldia
Em atenção à palavra de ordem
[Uma Noite em 69]
Adentrando seus vários Eus no fluxo do tempo, o Poeta revela-se enquanto um leitor atento, com inúmeras referências às obras literárias, às sagas, às epopeias fundadoras, às/aos autore(a)s clássico(a)s e moderno(a)s, pensadore(a)s, artistas, políticos, cidades, por exemplo, Odisseia, Ilíada, Divina Comédia, Eclesiastes, Rui Barbosa, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Pablo Neruda, Mário de Andrade, Nietzsche, Kant, Bíblia Sagrada, deuses africanos, Waly Salomão, Raul Seixas, Gilberto Gil, Debret, JK e Brasília ...
São listados e reverenciados vários filmes, livros, coletivos, gerações, Beat Generation, Clube da Esquina, Tropicália, em camadas e mais camadas de intertextualidade, Assim falava Pessoa parodiando Assim falava Zarathustra, 1883, de Nietzsche, ou Vagabundos Iluminados, título no Brasil para Dharma Bums, 1958, de Jack Kerouac, ou os filmes Era uma vez no oeste, 1969, de Sergio Leone, e A Classe operária vai ao Paraíso, 1971, do diretor Elio Petri, e Último Tango em Paris, 1972, do diretor italiano Bernardo Bertolucci, e Cinema Paradiso, 1988, de Giuseppe Tornatore,…
Ou poemas com títulos de canções Como nossos pais, de Belchior, e Para Lennon e McCartney, do Milton Nascimento e Clube da Esquina, Stairway to Heaven, balada hard da banda britânica Led Zeppelin, o disco Banquete dos Mendigos, Beggars Banquet, 1968, da banda Rolling Stones.
Todos tempos, tantas épocas, tantos Eus-ontem dentro do Eu-hoje não causam aflição, mas uma completitude, um conjunto de retratos que se movem como uma película de filme, assim, cenas em movimento que passam diante dos olhos do Poeta quando ele se debruça sobre sua vida e a registra em versos, Haja poesia para saudar cada dia [Andando com Fé], esperançoso, numa crença na missão do Poeta, Cumpra o prometido, poeta / use a lâmina da palavra iluminada / E desafie a realidade […] Veja a sombra de todos os seus medos / Mas não temas, poeta [Ao poeta desconhecido].
Em suas baladas na chegada da primavera, o Poeta Erivan Santana entoa loas aos tempos perdidos, como um bardo proustiano, tratando sua vida como matéria-prima de sua Escrita, tecendo sua Poética com a fibra íntima de suas lembranças presentificadas, reforçadas com profunda esperança, Esperamos porque a poesia / Assim quis, soberana em preencher / O vazio da alma em decomposição [Por que esperamos?,p. 23]
set 22
Leonardo de Magalhaens
poeta, contista, crítico literário
Bacharel em Letras FALE UFMG
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