terça-feira, 14 de junho de 2011

Speech of the Defamation of the Poet ( 3 e 4)



3/ THE LOVER TRANSFORMS INTO THE LOVED THING


When fell the navel of the poet his mother buried it near the rosebushes
in order to the boy could like the maids

As soon as fell the navel of the poet his mother saw the boy near the
rosebushes he was seeing the maids

When the poet was still a boy his mother saw him among the rosebushes
he was seeing the navel of the maids

when the poet was still a boy he was seen among the rosebushes with
his hand in the navel of the maids

When the boy passed among the rosebushes he saw the poet with
the hand in the navel of the maid

When the boy saw himself among the rosebushes soon he touched his hand
in the navel of the maid

The poet touched his hand in the navel of all maids he sees

The poet lives on mad for navel of woman

THE POET IS ATTACHED TO THE NAVEL OF THE WOMAN



trad. LdeM



3/ TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COISA AMADA


Quando o umbigo do poeta caiu sua mãe o enterrou junto às
roseiras para que o menino gostasse das moças

Quando mal tinha caído o umbigo do poeta sua mãe viu o menino
junto às roseiras olhando para as moças

Quando o poeta ainda era menino sua mãe o viu entre as roseiras
olhando para o umbigo das moças

Quando o poeta ainda era menino foi visto entre as roseiras com a
mão no umbigo das moças

Quando o menino passou entre as roseiras viu o poeta com a mão no
umbigo da moça

Quando o poeta se viu entre as roseiras passou logo a mão no umbigo
da moça

O poeta passa a mão no umbigo de toda moça que vê

O poeta vive obcecado por umbigo de mulher

O POETA ESTÁ PRESO AO UMBIGO DA MULHER


...



4/ HYPERIONS SCHICKSALSLIED

(Hyperion's Song of Fate)

The poet when he was a young boy he was beaten by a neurotic crisis
he need submitted himself to shock-therapy in a special clinic

The poet when he was a young boy he was beaten by a neurotic crisis
he need submitted himself to shock-therapy in a health house

The poet was beaten by a neurosis and he need submitted himself
to schock-therapy in a health house

The poet is beaten by neurosis and he need indeed to suffer electric schocks
in a health house

The poet is neurotic and he need indeed interned himself in a health house

The poet has mental disarray and he was indeed patient in a hospital

The poet is schizophrenic person and he often is removed to the mental home

The poet is maniac-depressive person

THE POET IS A MENTALLY ILL PERSON



trad. LdeM



4/ HYPERIONS SCHICKSALSLIED


O poeta quando jovem sofreu uma crise neurótica tendo de submeter-se
a tratamento de choque numa clínica especializada

O poeta quando jovem sofreu uma crise neurótica tendo de submeter-se
a tratamento de choque elétrico numa casa de saúde

O poeta sofreu de neurose e teve de submeter-se a tratamento de choque
elétrico numa casa de saúde

O poeta sofre de neurose e já teve de tomar choque elétrico numa casa
de saúde

O poeta é neurótico e já teve de internar-se numa casa de saúde

O poeta tem problemas mentais e já foi internado em hospital

O poeta é esquizofrênico e frequentemente é recolhido ao hospício

O poeta é maníaco-depressivo

O POETA É UM DESEQUILIBRADO MENTAL




Leonardo de Magalhaens

http://meucanoneocidental.blogspot.com/

sábado, 11 de junho de 2011

Speech of the Defamation of the Poet (1 e 2)




DISCURSO DA DIFAMAÇÃO DO POETA / 1978                 
                   Speech of the Defamation of the Poet



1/ THE WASTE LAND


The poet was born in a small house of a ground of small farm
in the old suburb of Calafate

The poet was born in the old small house of a ground in Calafate

The poet was born in the small house of a ground in Calafate

The poet was born in a ground of Calafate

The poet was born in a bare ground in Calafate

The poet was born in a empty plot in Calafate

The poet was born in a empty plot

THE POET WAS ABANDONED IN A EMPTY GROUND



trad. Leonardo de Magalhaens



1/ THE WASTE LAND

O poeta nasceu no barracão de um terreno de chácara no velho bairro
do Calafate

O poeta nasceu no barracão velho de um terreno no Calafate

O poeta nasceu no barracão de um terreno no Calafate

O poeta nasceu num terreno no Calafate

O poeta nasceu num terreno baldio no Calafate

O poeta nasceu num lote vazio no Calafate

O poeta nasceu num lote vazio

O POETA FOI ABANDONADO NUM TERRENO VAZIO


 ...




2/ CASTILLO INTERIOR


In Lent the poet covers with purple paper the paintings of saints
in his house's walls and mother thought send him
to the seminary when he had grown

In Lent the poet covers with purple paper the paintings of saints
while his mother prepared herself to send him to the seminary

In Lent the poet gathered together the purple clothes while his mother had
prepared his suitcase to the seminary

In Lent the poet dressed in purple had come with his suitcase
in the seminary

In Lent the poet with his purple clothes spoke the first Mass in the seminary

In Lent the poet purple with anger mystified in the seminary

THE POET IS AN APOSTATE PRIEST



trad. Leonardo de Magalhaens



2/ CASTILLO INTERIOR

Na quaresma o poeta recobria de papel roxo os quadros de santos nas
paredes de sua casa e mãe pensava mandá-lo para o seminário
quando crescesse

Na quaresma o poeta recobria de papel roxo os quadros de santos
enquanto a mãe se preparava para mandá-lo para o seminário

Na quaresma o poeta reunia os panos roxos enquanto a mãe arrumava
sua mala para o seminário

Na quaresma o poeta vestido de roxo chegava com sua mala ao seminário

Na quaresma o poeta com sua veste roxa dizia a primeira missa no
seminário

Na quaresma o poeta roxo de raiva mistificava no seminário

O POETA É UM PADRE APÓSTATA




Affonso Ávila




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LdeM

sábado, 4 de junho de 2011

Pense / Denke - de Ludwig Rubiner



Pense


A noite na alva prisão é pérola-lunar e altiva,
Esqueletos de brilho-bronze cruzam diante das clarabóias
no futuro,
O chefe está deitado sobre um colchão duro,
Um olho-espião espreita sorrateiro através do postigo da
lustrosa porta-de-aço.
Está deitado tão quieto que o sangue através dos membros flui e reflui,
A torre da cabeça cobre-se de marrom e sobe e desce com pressa
pelos guardas.
Abaixo das cisternas da boca jaz a aridez.
Lá fora os campos escurecidos esperam longe das fogueiras.
Ó boca, logo sobrenadam turbas armadas iguais a ondas enegrecidas,
Cabeça marrom, você as arremessa estalante terra afora,
Ó brilho dos olhos, que encontra a mira no fogo que queima.
Ó cúpula, de onde estão suspensas as novas casas da terra,
envoltas umas nas outras, inumeráveis, e colunas-de-figuras,
bosques, línguas,
Você, cabeça-de-cristal !


Apenas repousa em silêncio sobre um cubo branco da cela sobre a
borda do colchão noite adentro,
Os dedos sorrateiros de lado iguais na cova cedo de manhã.
Mas seu pulsar bate bem menos através das tubulações na parede da
fortaleza,
Os guardas sussurram – o que é proibido – aos prisioneiros.
Seu olho irmão circula olhando como se fosse pedra rolante através vigiadas celas.
Pense através dos cérebros de todos os prisioneiros, lá fora até aos guardas,
acima dos pátios, lá fora até as ruas!
A pedra deixada sobre você, ela inchava.
Seu cabelo é a plataforma dos guardas sem-sono,
Os muros de pedra em seu sangue inspiram e expiram com seu tremor,
As janelas gradeadas lá no alto da casa são escuras ao seu olhar.
Durante milênios a fortaleza é a sua imagem em outros países,
seu nome flutua em chamas no céu, acima de sua imensa cabeça-de-pedra.


Chefe, não durma esta noite. Apenas durante esta noite
pense!




Trad. Leonardo de Magalhaens






... 




Denke

Die Nacht im weißen Gefängnis ist mondperl und hoch,
Glanzbraune Gerüste kreuzen vor der Luke in die Zukunft,
Der Führer liegt auf der wulstigen Pritsche,
Ein Spitzelauge haarig schmal witzte durch das Guckloch der glatten Eisentür.
Er liegt ganz still, daß das Blut durch die graden Glieder fließt und zurückschießt,
Der Turm braun bewachsen des Haupts wird auf und herab bestiegen eilends von Wachen.
Tief unten der Wassergraben des Munds liegt in Dürre.
Draußen warten die dunklen bewegten Felder auf den Feuerschein.
O Mund, bald schwimmen bewaffnete Haufen wie schwarze Wellen hervor,
Braunes Haupt, du schleuderst sie krachend weit ins Land,
O Schein des Auges, der das Ziel im Brandfeuer trifft.
O Kuppel, darin die neuen Häuser der Erde schweben, flach ineinandergehüllt, zahllos, und Bildsäulen, Wälder, Sprachen,
Du kristallenes Haupt!

Liegst nun schweigend im weißen Würfel der Zelle auf nächtigem Pritschenrand,
Die Finger schmal zu den Seiten wie morgen im Grab.
Aber dein Pulsschlag klopft schon sacht durch die Mauerröhren der Burg,
Die Wärter flüstern verboten den Gefangenen zu.
Dein Bruderauge kreist schauend wie bewegter Stein durch die wachenden Zellen hin.
Denke du durch alle Gefangenenhirne, hinaus zu den Wachen, über die Höfe, hinaus in die Straßen!
Der Stein über dir aufgetrieben, schwillt.
Dein Haar ist die Plattform der schlaflosen Wachen,
Die Steinmauern in deinem Blut atmen auf und ab von deinem Beben,
Die Gitterfenster rund hoch um das Haus sind dunkel aus deinem Blick.
In Jahrtausenden ist die Burg dein Abbild weit in die Länder hin, dein Name schwebt feuergroß auf dem Himmel, über deinem riesenhohen Steinkopf.

Führer, schlafe heute nacht nicht. Nur diese Nacht denke noch!








Ludwig Rubiner

mais info em



LdeM

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Viagem Noturna pela ponte do Reno em Colônia (Stadler)





Viagem noturna pela ponte do Reno em Colônia


O trem expresso avança e perfura a escuridão.
Nenhuma estrela adiante. O mundo todo é apenas uma estreita galeria de mina
envolta pela noite,
Às vezes estruturas de luz azul dilaceram abruptos horizontes: círculo de fogo
De lampiões, telhados, chaminés, vaporizando, escorrendo... apenas por
uns segundos...
E tudo novamente escurece. Como se seguíssemos dentro das entranhas
da noite até os estratos
Ainda as luzes bruxuleiam... confusas, sem-consolo, isoladas... mais..
e... se juntam... e se adensam.
Esqueletos de fachadas cinzentas se deixavam a empalidecer na penumbra,
mortas – algo virá... ó sinto-o com pesar
Na mente. Uma agonia canta no sangue.  Então o chão ressoou
de súbito tal um mar:
Voamos, lá no alto, iguais aos reis através do ar noturno, alto acima
da corrente-fluvial.  Ó arco de milhões de luzes, vígila calada,
Diante de cuja parada brilhante as águas escorrem pesadas.
À noite infinda fila de árvores a fazer saudação!
Iguais aos fachos tempestuosos! Alegria! Saudação de navios sobre o
mar azul ! Festa estrelada!
Fervilhando, com olhos claros adiantados! Até onde a cidade com
as últimas casas deixa seus hóspedes.
E então as longas solidões. Margens desnudas. Calma. Noite.
Reflexão. Introspecção. Comunhão. E ardor e impulso
Até os últimos, abençoantes. Para a festa da fertilidade.
Para a volúpia. Para a devoção. Para o mar. Para o declínio.



trad. livre: Leonardo de Magalhaens





Fahrt durch die Kölner Rheinbrücke bei Nacht


Der Schnellzug tastet sich und stößt die Dunkelheit entlang.
Kein Stern will vor. Die ganze Welt ist nur ein enger,
nachtumschienter Minengang,
Darein zuweilen Förderstellen blauen Lichtes jähe Horizonte reißen:
Feuerkreis
Von Kugellampen, Dächern, Schloten, dampfend, strömend . . .
nur sekundenweis . . .
Und wieder alles schwarz. Als führen wir ins Eingeweid der Nacht
zur Schicht.
Nun taumeln Lichter her . . . verirrt, trostlos vereinsamt . . .
mehr . . . und sammeln sich . . . und werden dicht.
Gerippe grauer Häuserfronten liegen bloß, im Zwielicht bleichend,
tot — etwas muß kommen . . .o, ich fühl es schwer
Im Hirn. Eine Beklemmung singt im Blut. Dann dröhnt der Boden
plötzlich wie ein Meer:
Wir fliegen, aufgehoben, königlich durch nachtentrissne Luft,
hoch überm Strom. O Biegung der Millionen Lichter, stumme Wacht,
Vor deren blitzender Parade schwer die Wasser abwärts rollen.
Endloses Spalier, zum Gruß gestellt bei Nacht!
Wie Fackeln stürmend! Freudiges! Salut von Schiffen über blauer See!
Bestirntes Fest!
Wimmelnd, mit hellen Augen hingedrängt! Bis wo die Stadt mit letzten
Häusern ihren Gast entläßt.
Und dann die langen Einsamkeiten. Nackte Ufer. Stille. Nacht.
Besinnung. Einkehr. Kommunion. Und Glut und Drang
Zum Letzten, Segnenden. Zum Zeugungsfest. Zur Wollust.
Zum Gebet. Zum Meer. Zum Untergang.



(1913)



Ernst Stadler





sábado, 21 de maio de 2011

2 poemas de Charles Bukowski






A Tragédia das Folhas


.
acordei numa secura e as samambaias, mortas,
nos potes as plantas amarelas igual milho;
minha mulher foi embora
e as garrafas vazias iguais corpos sangrados
ao meu redor sem utilidade;
o sol ainda era bom, apesar disso,
e o bilhete da senhoria ia bem e
num tom amarelado sem demandas;
o que era preciso agora
era um bom comediante, estilo antigo, um bobo
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque existe, nada mais;
fiz a barba cuidadosamente com
uma velha lâmina,
o homem que já foi jovem e
que diziam ser genial; mas
essa é a tragédia das folhas,
das samambaias mortas,
das plantas mortas;
e eu entrei num corredor escuro
onde a senhoria de pé esperava,
malcriada e terminal,
me mandando pro inferno,
balançando seus braços gordos e suados
e gritando
gritando para receber o aluguel
por que o mundo havia falhado conosco
ambos




trad. Leonardo de Magalhaens






Charles Bukowski







The Tragedy of the Leaves

.
I awakened to dryness and the ferns were dead,
the potted plants yellow as corn;
my woman was gone
and the empty bottles like bled corpses
surrounded me with their uselessness;
the sun was still good, though,
and my landlady's note cracked in fine and
undemanding yellowness; what was needed now
was a good comedian, ancient style, a jester
with jokes upon absurd pain; pain is absurd
because it exists, nothing more;
I shaved carefully with an old razor
the man who had once been young and
said to have genius; but
that's the tragedy of the leaves,
the dead ferns, the dead plants;
and I walked into a dark hall
where the landlady stood
execrating and final,
sending me to hell,
waving her fat, sweaty arms
and screaming
screaming for rent
because the world has failed us
both



.
.

para ouvir



...




Quando me penso morto




penso em automóveis parados
num estacionamento


quando me penso morto
penso em frigideiras


quando me penso morto
penso em você transando com alguém
quando não estou por perto


quando me penso morto
é até difícil respirar


quando me penso morto
penso em todas as pessoas a desejarem morrer


quando me penso morto
penso que nunca mais beberei água


quando me penso morto
o ar fica enevoado


as baratas na minha cozinha
tremem


e alguém terá que jogar
minhas cuecas limpas e
sujas
fora




trad. Leonardo de Magalhaens






Charles Bukowski








when I think of myself dead


I think of automobiles parked in a
parking lot


when I think of myself dead
I  think of frying pans


when I think of myself dead
I think of somebody making love to you
when I’m not around


when I think of myself dead
I have trouble breathing


when I think of myself dead
I think of all the people wanting to die


when I think of myself dead
I think I won’t be able to drink water anymore


when I think of myself dead
the air goes all white


the roaches in my kitchen
tremble


and somebody will have to throw
my clean and dirty underwear
away


 .

 .


para ouvir

.
LdeM
http://leoleituraescrita.blogspot.com/

.

sábado, 7 de maio de 2011

União Democrática dos Poetas






União Democrática dos Poetas




poeta  acadêmico
que não gosta do
poeta  marginal
que não gosta do
poeta  jornalista
que não gosta do
poeta  operário
que não gosta do
poeta  academia-de-letras
que não gosta do
poeta  ator
que não gosta do
poeta  músico
que não gosta do
poeta  estudante-de-letras
que não gosta do
poeta  funcionário-público
que não gosta do
poeta  crítico literário
que não gosta da
poeta  mística
que não gosta do
poeta  marxista
que não gosta do
poeta  religioso
que não gosta do
poeta  metalinguístico
que não gosta do
poeta  sentimental
que não gosta do
poeta  político
que não gosta da
poeta  autobiográfica
que não gosta do
poeta  classicista
que não gosta da
poeta  romântica
que não gosta do
poeta  gramaticista
que não gosta do
poeta  espontaneísta
que não gosta do
poeta  simbolista
que não gosta do
poeta  popular
que não gosta do
poeta  show-business
que não gosta do
poeta  alternativo
que não gosta do
poeta  mainstream
que não gosta do
poeta  punk
que não gosta do
poeta  concurso-de-poesia
que não gosta da
poeta  gótica
que não gosta do
poeta  acadêmico.



Leonardo de Magalhaens